O pedido da comunidade e as contradições de Deodato

No último dia 10 de fevereiro, Gelcimar Lopes, Nelcivan Lopes de Souza, Altacy Magalhães Reis, Raimundo Santiago, Sindomar Carvalho, Enéas Silva, Frei Marcos, Enedino Gomes de Almeida, Roberto Aragão Soares e Lúcia Magalhães Reis saíram do seu bairro, o Morro da Liberdade, e foram até a sede da SEMSA, na rua Maceió, no Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus.

Gelcimar e os outros procuravam o secretário de saúde, Francisco Deodato, para entregar-lhe um documento. É que

  • Gelcimar, presidente da associação de moradores;
  • Nelcivan, conselheiro da UBS do bairro;
  • Altacy, pres. da Associação das Donas de Casa;
  • Raimundo, vice-presidente da Liga Municipal Desportiva do Morro;
  • Sindomar, diretor da Associação Educando Liberdade;
  • Enéas, presidente da Sociedade Civil do bairro;
  • Marcos, padre da paróquia do coração imaculado de Maria;
  • Enedino, do Grupo dos Amigos do Morro da Liberdade;
  • Roberto, conselheiro de saúde da Zona Sul, e
  • Lúcia, coordenadora do Grupo da Terceira Idade do Morro da Liberdade,

estavam ali em nome de todo o bairro. São representantes do Morro da Liberdade. Abaixo, você pode ler o documento entregue pelo grupo ao próprio secretário. Deodato assinou o documento, atestando que o recebeu.

Mas a carta pedindo a volta da médica Bianca Abinader não foi o único documento entregue ao secretário. Anexado a ela, um abaixo-assinado com cerca de 1.200 assinaturas também foi recebido por Deodato. Essas 1.200 pessoas, descritas pelo documento como “a população carente aqui do Morro”, ratificavam a reivindicação do grupo.

Nesta reunião, relatam os moradores, Deodato alegou que foi Bianca quem pediu sua própria transferência, e que ela poderia voltar ao Morro da Liberdade no momento em que quisesse.

Há controvérsias. 12 dias antes, no dia 29 de janeiro, Bianca e outros oito médicos foram informados que seriam transferidos para a Zona Leste. A médica questionou a transferência, por motivos pessoais (seu trabalho ficaria a 1,5h de distância de casa, com duas filhas pequenas em casa) e porque a própria comunidade podia providenciar outro imóvel que alojasse a equipe da Saúde da Família durante a reforma da casa original.

No terceiro parágrafo, a carta entregue pela comunidade a Francisco Deodato, 12 dias depois, dá razão a Bianca: “Foi solicitado aos comunitários que, durante a reforma, apresentássemos um local, dentro da comunidade, que pudesse servir para atendimento médico e de toda a equipe até o final da reforma do posto. Já conseguimos arranjar pelo menos 3 possíveis locais que poderiam ser escolhidos, dentro dos padrões solicitados pela secretaria.

O que levaria, então, a médica Bianca Abinader a pedir sua transferência para a Zona Leste de Manaus, a 1,5h de casa, estando no Morro da Liberdade, distante 15 minutos das duas filhas? Que coincidência teria levado a médica a pedir sua transferência, exatamente no mesmo dia em que Rosa Nobre, diretora do Distrito Sul (DISA Sul), informava a outros médicos que todos seriam transferidos?

Bianca nunca pediu pra ser transferida. Ao contrário, compareceu diariamente à SEMSA, entre os dias 31 de janeiro e 4 de fevereiro, aguardando uma resposta da secretaria ao seu pedido pra ficar (veja documento abaixo). Do outro lado, 1.200 pessoas carentes do Morro se mobilizavam para providenciar outra casa, enquanto pediam ao secretário para manter a médica e sua equipe no bairro.

Controvérsia 2. O secretário também diz aos moradores que Bianca poderia voltar ao Morro da Liberdade, assim que quisesse.

Depois de comparecer à SEMSA, entre 31 de janeiro e 4 de fevereiro, e não conseguir uma resposta ao seu pedido (e ao pedido dos moradores) para ficar, Bianca decidiu deixar o programa Saúde da Família. Apresentou seu pedido de exclusão no dia 7 de fevereiro, segunda-feira (veja documento abaixo). Ainda no mesmo dia, Bianca já atendia na UBS Amazonas Palhano, mas apenas com atendimentos ambulatoriais, com carga reduzida a 20 horas.

Mas, ao tomar conhecimento de que a SEMSA aceitaria seu pedido para voltar ao Morro da Liberdade, Bianca protocolou seu pedido para retornar à comunidade. Veja o pedido abaixo, assinado e recebido pela SEMSA em 15 de fevereiro:

Todos os documentos deste site estão na opção “Documentos”, ao lado.

Bianca e os moradores do Morro da Liberdade aguardaram a resposta de Francisco Deodato até o dia 21 de fevereiro. Naquele dia, às 15h40, chegava ao banco de dados da SEMSA a notícia de que o pedido tinha sido negado pelo secretário.

Oito horas antes, às 7h41, a CBN Manaus, em seu site oficial, já estampava a notícia do indeferimento de Deodato.

Hoje é dia 4 de março. O Morro da Liberdade completa 35 dias sem médico da família.

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